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Pesquisadores da USP conquistam 1° lugar em competição internacional de carros autônomos

Por Luana Coggo e Virginia Mencarini

Fonte: Reprodução/Carla.org

No último mês, 211 participantes de 69 equipes disputaram o Carla, desafio promovido por grandes empresas que atuam no ramo de desenvolvimento tecnológico. Os grupos reuniam competidores de diversos países, dentre eles Estados Unidos, Japão, França e Brasil, que acabou conquistando o grande prêmio da disputa, de US$17 mil. O time da Universidade de São Paulo foi coordenado por dois professores do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC), Denis Wolf e Fernando Osório, ambos do Laboratório de Robótica Móvel da USP.

O veículo autônomo, desenvolvido pelos professores do campus de São Carlos, junto com 6 pós-graduandos (Júnior Anderson Rodrigues da Silva, Tiago Cesar dos Santos, Angélica Mizuno Nakamura, Iago Pachêco Gomes, Jean Amaro e Luis Alberto Rosero), alcançou a meta e teve o melhor desempenho em 3 de 4 categorias do Desafio de Direção Autônoma Carla. O carro teve que percorrer 6.582 quilômetros por mais de 5,7 mil horas para concluir uma competição inédita. Nessa disputa, os pontos eram acumulados a partir da maeira que carros reagiam perante as situações propostas e pelo menor número de infrações cometidas, ou seja, a rapidez no desenrolar da prova não era um fator decisivo.

Assim como uma situação da vida real, o desafio online exigia que os veículos criados pelas 69 equipes percorressem rotas virtuais, deparando-se com circunstâncias corriqueiras do trânsito, como outros carros na pista, semáforos, placas e condições climáticas que podem causar acidentes. Os participantes programavam seus projetos de dentro dos laboratórios, criando os algorítmos responsáveis pelas regulações dos sensores de percepção presentes nos carros.

Segundo Tiago, um dos idealizadores da máquina, um dos principais obstáculos enfrentados pelo grupo foi ter que trabalhar com os sensores do carro, pois é através deles que os veículos percebem o mundo. “Os sensores são os sentidos do carro. Eles enxergam o ambiente, e a partir desses sensores o carro passa a ter seu primeiro contato com o mundo”. Outra dificuldade destacada por Tiago foi estudar como o carro tomaria decisões normalmente feitas pelos seres humanos. De acordo com ele, a partir do momento em que o carro percebe determinada situação no trânsito, é necessário fazer um algoritmo que indique para a máquina como ela deve reagir perante a cor vermelha emitida por um semáforo, por exemplo.

Essa aproximação com o mundo real proporcionada pela plataforma online representou um grande avanço na tecnologia, afinal, nenhum outro programa havia apresentado tamanha inovação. As simulações feitas com as máquinas autônomas, além de muito eficazes, possuem um custo de realização significativamente menor do que os testes feitos em vias públicas. Júnior Rodrigues, um dos pesquisadores do projeto, relata que além da economia de investimento, o Carla apresenta uma opção muito mais segura e acessível para testar as novas tecnologias do ramo automotivo, sem colocar a vida das pessoas em risco (o que aconteceria em experiências executadas em rodovias comuns).

Ao questionarmos sobre a possível substituição da atuação humana pelos comandos autônomos dos carros, Júnior e Tiago se mostraram incrédulos na ideia de que no futuro as pessoas vão parar de dirigir, pois acreditam que a sociedade como um todo sente prazer em ter essa autonomia no trânsito do dia a dia. Para eles, essa transformação acontecerá de outras formas, como o advento de uma maior comodidade, tanto para empresas quanto para motoristas de caminhão que dirigem por 24h seguidas, por exemplo, além de otimização do tempo dos cidadãos e acessibilidade. Os usuários não seriam obrigados a saber dirigir, gastariam menos dinheiro (porque no serviço não contaria o custo do trabalho de motoristas) e teriam mais conforto, afinal, poderiam realizar tarefas de trabalho ou lazer enquanto se locomovem pela cidade (fato que se torna impossível quando o cidadão precisa comandar o carro).